É a vontade nua e crua, escondida atrás
de um pano negro de cetim, repleto de partículas de pó e cheiro a mofo.
Medo é desistir sem nunca tentar, ter um
objectivo e determiná-lo como inatingível no seu início.
Medo de nos iludirmos por palavras
bonitas e em simultâneo falsas que nos enrolam como teias de aranha e nos
prendem no seu interior.
Medo da palavra enganar, destruir, fugir
talvez….
Medo que tu faças o mesmo que ele fez,
deixando-me presa num poço sem fundo, onde nem uma única e simples palavra
consigo prenunciar, onde nem o meu eco consigo ouvir, onde nem já o valor da
palavra Esperança e Acreditar consigo ter.
Medo que o medo se apodere de mim, que
nunca mais arrisque com medo de cair, que nunca mais sonhe com medo de não
acordar para a realidade, que nunca mais grite com medo de outros não me
ouvirem, que nunca mais consiga acreditar na simples palavra Vida, com medo que
esta, não passe de uma ilusão.
Será real tudo o que passamos
diariamente ou será só conjunções de medos e palavras, desenvolvendo na nossa
mente emoções, o que será?
Pois, seja o que for, não passará de
isso mesmo!
O medo não poderá afectar e dominar as
nossas vidas. Contudo, se o fizer, deixaremos de ser nós próprios. As palavras
aqui escritas deixarão de fazer sentido e tu e todos vós, como afirma O’Neill,
passaremos a ser simples ratos!
