4.6.11

Medo


O medo? O medo é a simples cobardia de não arriscar uma segunda vez pelo que se pretende.
            É a vontade nua e crua, escondida atrás de um pano negro de cetim, repleto de partículas de pó e cheiro a mofo.
Medo é desistir sem nunca tentar, ter um objectivo e determiná-lo como inatingível no seu início.
Medo de saber o valor da palavra Amar ou talvez da palavra Detestar num equívoco de emoções.
Medo de nos iludirmos por palavras bonitas e em simultâneo falsas que nos enrolam como teias de aranha e nos prendem no seu interior.
Medo da palavra enganar, destruir, fugir talvez….
Medo que tu faças o mesmo que ele fez, deixando-me presa num poço sem fundo, onde nem uma única e simples palavra consigo prenunciar, onde nem o meu eco consigo ouvir, onde nem já o valor da palavra Esperança e Acreditar consigo ter.
Medo que o medo se apodere de mim, que nunca mais arrisque com medo de cair, que nunca mais sonhe com medo de não acordar para a realidade, que nunca mais grite com medo de outros não me ouvirem, que nunca mais consiga acreditar na simples palavra Vida, com medo que esta, não passe de uma ilusão.
Será real tudo o que passamos diariamente ou será só conjunções de medos e palavras, desenvolvendo na nossa mente emoções, o que será?
Pois, seja o que for, não passará de isso mesmo!
O medo não poderá afectar e dominar as nossas vidas. Contudo, se o fizer, deixaremos de ser nós próprios. As palavras aqui escritas deixarão de fazer sentido e tu e todos vós, como afirma O’Neill, passaremos a ser simples ratos!